Perspectivas de Investigación en Educación Física vol. 5, núm. 9, e046Artículos
Novos tempos, velhos discursos: a retórica de legitimação do “grande mito esportivo” no Brasil
Resumo: Este ensaio tem como objetivo analisar a persistência de discursos essencialistas sobre o esporte como prática intrinsecamente benéfica, educativa e transformadora, especialmente no contexto brasileiro. A metodologia adotada consistiu em uma revisão bibliográfica em duas etapas: a primeira, centrada na revista Educação Physica (1932–1945), e a segunda, em artigos científicos brasileiros publicados no século XXI. Os resultados indicam que, desde o início do século XX, o esporte tem sido promovido como instrumento de moralização, inclusão social e desenvolvimento, sustentado por valores olímpicos e discursos médicos e pedagógicos. Conclui-se que essa visão idealizada permanece presente na produção acadêmica contemporânea, obscurecendo dimensões estruturais das desigualdades sociais e limitando abordagens críticas. O estudo propõe a necessidade de revisitar os significados históricos do esporte e promover uma reflexão crítica sobre seu papel social, afastando-se de concepções essencialistas que ainda orientam políticas públicas e práticas pedagógicas.
Palavras-chave: Esporte, Essencialismo Esportivo, Educação Física, Inclusão Social, Discurso Pedagógico.
New times, old discourses: the rhetoric of legitimising the ‘great sporting myth’ in Brazil
Abstract: This essay aims to analyze the persistence of essentialist discourses on sport as an intrinsically beneficial, educational, and transformative practice, especially in the Brazilian context. The methodology adopted consisted of a two-stage literature review: the first focused on the journal Educação Physica (1932–1945), and the second on Brazilian scientific articles published in the 21st century. The results indicate that, since the beginning of the 20th century, sport has been promoted as an instrument of moralization, social inclusion, and development, supported by Olympic values and medical and pedagogical discourses. It is concluded that this idealized view persists in contemporary academic production, obscuring the structural dimensions of social inequalities and limiting critical approaches. The study proposes revisiting the historical meanings of sport and promoting critical reflection on its social role, moving away from essentialist conceptions that still guide public policies and pedagogical practices.
Keywords: Sport, Sports Essentialism, Physical Education, Social Inclusion, Pedagogical Discourse.
Tiempos nuevos, discursos viejos: la retórica de legitimación del «gran mito deportivo» en Brasil
Resumen: El objetivo de este ensayo es analizar la persistencia de discursos esencialistas sobre el deporte como práctica intrínsecamente beneficiosa, educativa y transformadora, especialmente en el contexto brasileño. La metodología adoptada consistió en una revisión bibliográfica en dos etapas: la primera, centrada en la revista Educação Physica (1932-1945), y la segunda, en artículos científicos brasileños publicados en el siglo XXI. Los resultados indican que, desde principios del siglo XX, el deporte se ha promovido como instrumento de moralización, inclusión social y desarrollo, sustentado por los valores olímpicos y los discursos médicos y pedagógicos. Se concluye que esta visión idealizada sigue presente en la producción académica contemporánea, oscureciendo las dimensiones estructurales de las desigualdades sociales y limitando los enfoques críticos. El estudio propone la necesidad de revisar los significados históricos del deporte y promover una reflexión crítica sobre su papel social, alejándose de las concepciones esencialistas que aún orientan las políticas públicas y las prácticas pedagógicas.
Palabras clave: Deporte, Essencialismo deportivo, Educación física, Inclusión social, Discurso pedagógico.
Introdução
Um rápido olhar na página do Ministério do Esporte do Brasil, ou nas páginas da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) ou ONU (Organização das Nações Unidas) nos mostraria propostas muito positivas ligadas ao esporte e sua capacidade de desenvolvimento, paz e igualdade. A ideia de que o esporte é intrinsecamente benéfico é amplamente difundida na contemporaneidade, seja em organismos oficiais, seja em outros cenários. Há uma crença disseminada e quase inabalável na pureza e na bondade como características inerentes ao esporte.
Para Coakley (2015), essa crença é baseada em dois pressupostos. O primeiro é que esta pureza intrínseca é transmitida àqueles que participam do esporte. O segundo é que inevitavelmente o esporte conduz ao desenvolvimento individual e comunitário. Com esta prerrogativa em mente, órgãos internacionais, políticas desenvolvidas por governos e projetos levados a cabo por Organizações Não-Governamentais costumam apostar na ideia do esporte como meio para o desenvolvimento e a paz (Giulianotti, 2011; Hartmann, Kwauk, 2011). Nesta perspectiva, decisões e políticas relacionadas ao esporte permanecem moldadas principalmente por crenças baseadas em testemunhos de atletas, ex-atletas e outros envolvidos no cenário esportivo que atestam os benefícios do esporte a partir de suas próprias experiências. Há também aqueles que o promovem com interesses próprios, votando em sedes esportivas, construindo instalações superfaturadas e apoiando a contratação de empresas privadas (Coakley, 2011). Neste ínterim, setores públicos gradativamente financiam políticas e programas baseados nos supostos benefícios do esporte para o desenvolvimento, e tais políticas recebem apoio irrestrito – tanto de setores progressistas quanto conservadores – pois associa-se tais políticas à criação de pessoas saudáveis e produtivas, à diminuição da delinquência, à melhoria da socialização.
Diversos autores afirmam que o grande problema dessa associação reside na falta de conceituação e pesquisa sobre a real eficácia dessas propostas. Hartmann e Kwauk (2011) afirmam que evidências anedóticas são impulsionadas por narrativas comoventes e frases de efeito sobre a transformação do indivíduo e/ou da comunidade, normalmente recortadas por aqueles que coordenam tais programas. Giulianotti (2011), por sua vez, aponta que a grande maioria dessas propostas possuem fraquezas técnicas em sua implementação, falhas subjetivas relacionadas às intenções em relação à execução e fraquezas políticas, que permitem a reprodução de uma ideia assistencialista que reproduz perspectivas imperialistas e neocoloniais.
No contexto brasileiro, Vilaça, Gawryszewski e Palma (2014) analisaram a profusão da ideia de que a prática esportiva possui funções sociais, tais como educar, socializar, incluir e transformar indivíduos. Sua crítica central reside na tomada do esporte como elemento de mitigação de desigualdades e promoção de cidadania às classes menos favorecidas, como se o esporte possuísse, por si só, a capacidade de solucionar ou contribuir para a solução de problemas complexos a nível global, desconsiderando as demais variáveis. Em suma, o que todos/as estes autores/as apontam, em suas pesquisas, é a crença disseminada de que o esporte é, essencialmente, justo, puro e bom. De acordo com Coakley (2015), trata-se do Great Sport Myth (Grande Mito Esportivo), que vem moldando os usos sociais do esporte há mais de um século.
Coakley (2015) e Davis e Knoester (2024) apontam a falta de pesquisas sobre o tema como um dos problemas centrais na difusão do “mito” esportivo. Neste ensaio, nossa proposta é discutir que, na realidade, e corroborando com as ideias de Vilaça, Gawryszewski e Palma (2014), há diversas pesquisas no cenário brasileiro que assumem o essencialismo esportivo como justificativa para seu ensino, seu uso como ferramenta de desenvolvimento e para a promoção de inclusão social. Nos baseamos na hipótese de que se trata de uma construção histórica ao redor dos significados do esporte e que, no cenário contemporâneo, muitas afirmações são pautadas naquilo que historicamente foi dito sobre o potencial esportivo, numa repetição e reiteração de ideias que dura mais de cem anos no contexto brasileiro.
Desta forma, a proposta deste ensaio é apontar as continuidades de uma discursividade que aponta o esporte como um elemento essencialmente benéfico, entrecruzando produções do passado com o cenário acadêmico brasileiro atual. Para isto, foi feita uma revisão bibliográfica dividida em duas partes. A primeira delas buscou discursos sobre a moralidade positiva do esporte e seus benefícios mais amplos na revista Educação Physica.
A revista Educação Physica foi um dos principais veículos de difusão e divulgação da educação física brasileira nos anos 1930 e 1940. Esta revista possuiu 88 edições, publicadas entre 1932 e 1945. Schneider (2010), ao analisar a arqueologia do impresso, apresentou diversas características editoriais importantes, que buscaram difundir um ponto de vista sobre a educação física no período, disseminando ideias e ideais ligados ao corpo, ao esporte, à higiene e às práticas da cultura física em geral. A revista mesclava conhecimentos científicos, propagandas, difusão de artigos e textos de autores internacionais, notícias sobre o esporte e artigos pedagógicos, buscando definir e delimitar o que seria o universo da educação física no período. Considerando tais características, analisamos os artigos publicados nas 84 edições disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional Brasileira.
A segunda parte da revisão foi feita de forma não sistemática, buscando, em revistas científicas brasileiras, por artigos em português publicados no século XXI. Os artigos selecionados são aqueles que associaram o esporte a um elemento intrinsecamente positivo, voltado ao desenvolvimento, à promoção de inclusão social e, portanto, tendo justificada sua difusão na escola e em outros cenários de ensino para as crianças e jovens. A proposta é, portanto, buscar pela continuidade discursiva sobre o esporte que vem desde as primeiras publicações de cunho pedagógico/científico até os dias de hoje.
O esporte como promotor da moral: as discussões presentes na revista Educação Physica
Diferentes autores e autoras já estudaram a importância da educação física e seus desdobramentos em relação aos ideais de modernidade produzidos e difundidos no Brasil do início do século XX. Estas pesquisas apontam que uma nova preocupação com a higiene e a saúde se desenhavam, tanto a nível individual como coletivo, e as operações e ações sobre o corpo tiveram um lugar de destaque na tentativa de solucionar as problemáticas apontadas (Gois Jr; Lovisolo, 2003). Neste ínterim, a educação física e o esporte passaram a ganhar destaque nos discursos de médicos, higienistas, na mídia impressa, nos debates educacionais. Este discurso não nasceu no Brasil, mas foi difundido, apropriado e ressignificado em diferentes cenários, postulando a educação do corpo como um elemento benéfico tanto a níveis individuais quanto coletivos (Soares, 1994; Schneider, Ferreira Neto, 2008).
É no bojo da difusão de tais ideias que uma miríade de novas possibilidades passa a fazer parte do universo da educação física e dos esportes. Foi na década de 1930 que a educação física como prática escolarizada e institucionalizada ganhou forças, apoiada nos discursos médicos e militares e difundida em diferentes âmbitos (Gois Jr, 2017). Além da escola, a prática da educação física, da recreação e do esporte como meio de educação extraescolar de crianças e jovens também ganhou novos significados (Dalben, 2009). A criação de Instituições de Ensino Superior voltada para a formação de professores de educação física (São Paulo, 1934 e Rio de Janeiro, 1939), além da criação de um órgão central de direção do setor no antigo Ministério da Educação e Saúde funcionaram, junto aos elementos anteriores, como base para a criação e o funcionamento do Conselho Nacional do Desporto no início da década de 1940, institucionalizando e transformando em política nacional a educação física e as práticas esportivas de maneira mais ampla (Linhales, 1996).
Além do âmbito da educação, regeneração e higiene, bastante vinculado com a educação física escolar, as práticas da cultura física também ganhavam destaque por meio dos esportes, que, desde finais do século XIX, já se disseminavam Brasil afora, ganhando adeptos, praticantes e aficionados (Melo, 2001; Medeiros, 2020). A década de 1930 foi um momento crucial nesta difusão de ideias e ideais a respeito do esporte, pois foi neste momento que novos elementos passaram a ser adicionados nesta relação. Um deles foi a experiência internacional brasileira, já que torneios e campeonatos sul-americanos se difundiam, além das novas representatividades no cenário olímpicos mais amplo (Torres, 2007). Vinculado a este cenário, o universo do treinamento físico se ampliava, e suas bases se difundiam em escritos especializados, buscando melhorar a performance e o desempenho dos atletas (Ladislau, 2010). Até mesmo o ambiente escolar foi tomado por esta nova prática, o que acendeu debates sobre quais os melhores métodos a serem desenvolvidos nas aulas de educação física, se aqueles baseados na ginástica ou no esporte (Gois Jr, Melo, Soares, 2015).
Embora o esporte ganhasse terreno em diferentes perspectivas, sua difusão, assim como ocorreu em âmbito internacional, não contou somente com adeptos e apoiadores. Ao contrário, polêmicas foram suscitadas em relação a sua constituição, em especial colocando em xeque sua capacidade pedagógica (Bruschi et. al., 2017; Dalben, Góis Júnior, 2018; Dalben, 2025). Em muitos casos, a ginástica, com seu controle, sua hierarquia e organização, ainda figurava como o melhor modelo para educar crianças e jovens no Brasil.
A defesa da prática esportiva deveria ocorrer, portanto, apresentando contrapontos adequados a estas ideias negativas, mostrando suas vantagens morais e educativas. A saída seria apelar para os discursos que constituíram o esporte em seu contexto moderno; aqueles mesmos discursos que permearam a criação dos Jogos Olímpicos (Guttmann, 2002) e que foram readaptados e reapropriados no universo burguês. Bourdieu (2003) aponta que, no seio da elaboração das regras e virtudes do esporte moderno, nas public schools inglesas, o esporte foi moldado a partir de uma moral aristocrática, baseada no fair play, traduzido como uma virtude cavalheiresca oposta à busca vulgar da vitória a todo preço. Além disso, o amadorismo também trazia em si uma filosofia aristocrática, pois fazia do esporte uma prática desinteressada, mantendo distância relativa dos papéis que são representados durante sua disputa. Entretanto, esta prática rapidamente foi coaptada por ideais educacionais burgueses, que viram no esporte a possibilidade de educar para a energia, a coragem, a vontade, a iniciativa. Desta forma, o esporte passou a ser visto como uma escola de coragem e virilidade, capaz de formar o caráter e instituir em cada personalidade a vontade de vencer (Holt, 1992; 2006).
Portanto, estas concepções educativas, já presentes na definição dos esportes modernos desde sua gênese, deveriam ser reafirmadas, com o propósito de habilitá-los em diferentes cenários no universo da educação física brasileira. E, neste aspecto, a revista Educação Physica não poupou esforços para fazer com que tais ideais fossem amplamente difundidos e divulgados.
Em 1938, uma publicação sem autoria identificada, ocupando uma página completa do periódico, apresentou o seguinte título: “O verdadeiro esportista”. Esta página, toda escrita no modo verbal imperativo, apresentava os deveres dos atletas, tanto em seu momento de júbilo quanto no da derrota:
O verdadeiro esportista
Deve jogar sempre honestamente.
Deve jogar com interesse e ardor até o final da partida.
Deve jogar pelo prazer do jogo e pelo exito do seu team
[...]
QUANDO PERDE
Deve felicitar o vencedor, reconhecer os seus méritos aprender a corrigir as suas próprias faltas technicas
QUANDO GANHA
Deve ser generoso e modesto
EM TODAS AS OCCASIÕES
Deve portar-se de acordo com os seus ideais superiores. (O verdadeiro...,1937, p.12).
O código de deveres do esportista contava, também, no fim da página, com os seguintes dizeres: “Educação Physica suggere que todos cooperem na maior divulgação possível desta página, transcrevendo-a para seus órgãos de publicidade”. Tratava-se, portanto, de uma empreitada da revista na difusão dos princípios do esportista ideal. Este código aproximava-se dos princípios que estruturaram a lógica do amadorismo, que demandavam que o participante disputasse um jogo justo baseado nas regras comuns, evitasse violências excessivas, participassem ativamente como jogadores, não expectadores, e abolissem práticas como receber dinheiro por seu desempenho ou apostar nos resultados (Holt, 1992)
Eram recorrentes as reportagens que, talvez de modo menos imperativo, procuravam reiterar as características do verdadeiro esportista. Em geral, tais características eram apresentadas como um ideal a ser buscado; portanto, para que um mero atleta se tornasse, de fato, um sportman, ele precisaria demonstrar “esforço constante e luta permanente, e, sobretudo, grande enthusiasmo e convicção pelos ideais do cavalheirismo” (O valor...,1938). Nota-se a diferenciação entre o sportman e o atleta; o sportman era aquele que não desenvolvia somente os músculos, e sim aquele que “aprendeu a reprimir a sua cólera, a ser tolerante com seus companheiros, a não se aproveitar de uma vil vantagem...” (Sportman, 1940, p.56).
Entretanto, o esporte, de acordo com a revista, não era responsável somente por moldar o caráter individual de seus praticantes; ele influenciava também na “formação do caráter da juventude, no desenvolvimento das normas de conduta e como uma força modeladora da vida dos povos” (Netto, 1937, p.23). Este esporte, portanto, precisava ser forjado a partir de alguns princípios que o conectassem às condutas adequadas e, ao mesmo tempo, afastassem seus participantes de práticas sem valor moral. Nas reportagens da revista, este princípio-guia era o amadorismo, que aparecia como o modo pelo qual o esporte deveria ser praticado, sendo a única maneira de “desenvolver as qualidades morais e habituar as massas aos espetáculos sãos e nobres” (Loyola, 1941).
Além do desenvolvimento de condutas morais adequadas a seus praticantes, sejam elas individuais ou vinculadas à vida coletiva, o esporte – se bem praticado – era capaz também de desenvolver outras capacidades e habilidades em seus praticantes. Uma delas, de acordo com Rezende (1936) era a possibilidade de combater, a partir dos esportes coletivos, os “instintos egoísticos, desenvolvendo o espírito associativo e habituado á submissão a certas regras” (p. 18).
Outra capacidade que se combinava perfeitamente bem com a prática esportiva, de acordo com Netto (1937) era a inteligência. Segundo o autor, historicamente, em especial no universo educacional, o esporte foi acusado de ser incompatível com a elevação intelectual e moral. Entretanto, o autor aponta que o desenvolvimento correto do ambiente esportivo poderia fazer com que este universo fosse atrativo para as pessoas de “fino e claro espírito”. Esta perspectiva foi veiculada também nas reportagens “Volley-ball para homens de negócios” (Johnson, 1936) e “Como empregar as horas de lazer” (Cromil, 1938). Em ambas as reportagens, o voleibol é visto como a prática ideal para o desenvolvimento dos homens modernos e inteligentes, pois prepara o corpo, relaxa a mente e permite o desenvolvimento da rapidez de raciocínio que pode ser utilizada também em outros espaços sociais. É notável que a inteligência desenvolvida pelo esporte não era somente aquela ligada à intelectualidade, mas também a do “domínio do indivíduo sobre si” (Editorial, 1938, p.4). A nova era, que ocupava as relações humanas de forma súbita, exigia homens “de iniciativa, vivos, criteriosos”; cabia à educação física, por meio da prática esportiva, promover atividades capazes de desenvolverem tais qualidades.
Em relação aos problemas da sociedade em geral, o esporte também apresentava sua eficiência. Diversas reportagens atestavam os benefícios do esporte em relação à saúde geral da população, em geral associando-os à melhoria da raça e aos preceitos eugênicos em voga no período (Filho, 1939)1. Além desta perspectiva, o esporte era atrelado também à luta anti-alcoolismo (Azevedo, 1936), ao combate aos jogos de azar (Combatendo...,1939) e à diminuição da delinquência:
O crime pode ser considerado como o resultado de um ajustamento social imperfeito. Já se tem dito que se as crianças tivessem opportunidade de estar em contacto íntimo com a natureza e usar as suas energias nas praças de esportes e nos parques, ou mesmo em outras atividades sadias, não insistiriam em commetter actos que põem em perigo os transeuntes (Monteiro, 1937).
Em síntese, o esporte se apresentava como um elemento que, se bem aproveitado, poderia impactar positivamente em diversos aspectos, sejam individuais ou coletivos. Questões morais, ligadas à inteligência, à coletividade, à saúde da população, ao combate às mazelas: todas elas poderiam ser obtidas, efetivadas e desenvolvidas com a prática adequada do esporte. Nada mais justo, portanto, do que trazer ao universo escolar uma prática capaz de promover tantos benefícios; bastava ensiná-lo da maneira adequada às crianças e jovens.
Hudson (1938), ao defender o esporte como um meio pedagógico, apontava que suas funções educativas se vinculavam à sua capacidade de desenvolver a “inteligência social”, traduzida como a capacidade de “viver bem com seus camaradas e apreciar seus pontos de vista” (p. 31). Além da inteligência, a disciplina era outra virtude a ser ensinada por meio dos esportes, “para que [os estudantes] possuam uma alma forte e capaz de enfrentar a vida”. Por fim, o autor aponta ainda outra vantagem do ensino dos esportes na escola: sua capacidade de ensinar a forma correta de encarar o fracasso ou a derrota.
A concepção de que o esporte era uma “escola de obediência, solidariedade e iniciativa” foi o argumento utilizado por Dehoux (1939) para justificar sua inserção no universo escolar. Seu argumento era que a escola deveria promover uma “educação esportiva”, que, mais do que ensinar questões técnicas e táticas aos estudantes, deveria se ocupar de inculcar características positivas ligadas à moralidade desta prática. Havia o “bom” e o “mau” esporte: a escola deveria, portanto, se ocupar de proporcionar o primeiro e afastar de seus alunos o segundo (Loyola, 1940).
Não foi sem opiniões contrárias que o esporte como elemento educativo foi defendido nas revistas. Artigos de George Hébert (1941; 1942) e Vintre e Grobon (1941) foram publicizados nas páginas da revista, alertando para os perigos da competitividade exacerbada produzida pela prática esportiva. Como resposta a tais questões, os artigos da revista procuraram alinhar o universo escolar ao “bom” esporte – definido como o esporte amador –em detrimento ao “mau” esporte– sinônimo de esporte profissional (Loyola, 1940). Portanto, o ensino do esporte na escola passava pelo ensino do “espírito esportivo” (Lotufo, 1943) e pelo ensino dos princípios olímpicos difundidos por Pierre de Coubertin (1938). Este era o “conjunto de questões” que deveria ser enquadrado no universo da pedagogia esportiva. Seriam estes os mesmos preceitos de desenvolvimento deste campo de conhecimento até os dias atuais?
O esporte como paz, moralidade e desenvolvimento nos dias atuais: novas roupagens, mesmos argumentos
Como vimos anteriormente, a revista Educação Physica, bastante representativa na circulação de ideias sobre o esporte e a educação física no Brasil no período recortado (Schneider, 2010), colaborou com a construção da ideia de que o esporte, quando bem gerido e bem desenvolvido, tem um potencial positivo intrínseco, sendo capaz de transformar os indivíduos e a sociedade. Neste item, buscamos analisar o lastro dessas afirmações na produção acadêmica contemporânea brasileira que, em alguma medida e vinculada a certos tópicos, continua a corroborar tais afirmações sobre o esporte na contemporaneidade, adicionando a esta discussão uma nova roupagem, em geral vinculada ao acúmulo de conhecimento científico da área.
As reportagens da revista Educação Physica sustentaram, de forma ampla e por meio de distintas nuances, a noção de que o esporte seria um poderoso construtor de caráter. Nessas concepções, mesmo a derrota era interpretada como experiência educativa, e as adversidades, como oportunidades para a formação de sujeitos moralmente superiores. Essa lógica permanece presente em parte da literatura contemporânea, que continua a difundir a ideia de que o esporte é inclusivo e que todos os seus participantes têm, em potencial, a chance de vencer (Azevedo; Gomes Filho, 2011). Tal perspectiva, no entanto, reforça uma visão idealizada e moralmente redentora do esporte, tratando-o como um espaço intrinsecamente bom, mesmo quando estruturado pela lógica da competição e da exclusão.
De modo semelhante, a revista Educação Physica também atribuía ao esporte a função de solucionar as mazelas sociais, apresentando-o como instrumento de desenvolvimento coletivo e de promoção do bem comum. Essa crença — ainda recorrente na produção acadêmica da educação física e do esporte — sustenta a narrativa de que a prática esportiva pode afastar os jovens da delinquência e promover “boas influências” (Hirama; Montagner, 2012). Contudo, ao reiterar o esporte como via privilegiada de transformação social, tais discursos acabam obscurecendo as dimensões estruturais das desigualdades que o próprio esporte, muitas vezes, reproduz.
Como afirmam Coakley (2011) e Hartmann e Kwauk (2011), o esporte vem sendo frequentemente associado ao desenvolvimento e à paz, especialmente por organismos como a ONU e a UNICEF — uma vinculação que suscita múltiplas análises sobre suas implicações. Enquanto parte da literatura, sobretudo aquela produzida no Sul Global, tem evidenciado os limites e contradições dessas propostas (Trindade; Almeida; Marchi Jr., 2018), outra parcela tende a reafirmar o esporte como instrumento universalmente benéfico, vinculando-o aos preceitos da educação e da paz e projetando-o como uma solução quase transcendental para problemas sociais complexos (Osborne; Belmont, 2018).
Um tema que se reitera nessas formulações, em diálogo com noções históricas associadas ao esporte, é a crença de que essa prática favoreceria o desenvolvimento de competências necessárias à vida em sociedade. Nas páginas da revista Educação Physica, tal concepção aparecia ancorada em discursos médicos, higiênicos e, por vezes, nacionalistas. Na contemporaneidade, esses mesmos sentidos reaparecem ressignificados pela linguagem da cidadania, apresentando o esporte como via privilegiada para a inclusão social, o fortalecimento da cidadania e a redução da violência (Paz, 2023). No entanto, como observa Melo (2007), é preciso problematizar o próprio conteúdo dessa “cidadania” associada ao esporte, interrogando os limites e as implicações de uma visão que tende a deslocar questões estruturais para o plano comportamental ou moral.
Por fim, destaca-se a persistência de outra vertente discursiva: a centralidade dos chamados valores olímpicos como fundamento pedagógico do ensino dos esportes, especialmente no contexto escolar. A concepção de que o esporte deva ser ensinado revestido de valores morais e educativos (Araujo; Gastaldo, 2016) ou de que promova o desenvolvimento de habilidades socioemocionais (Quintilio, 2019) reforça uma leitura idealizada de sua função social.
Este ensaio não tem a pretensão de eximir o universo do esporte e da educação física de um debate sobre a moralidade; ao contrário, concordamos com Morgan (2006) quanto à importância das discussões morais vinculadas ao esporte na contemporaneidade. Ao mesmo tempo, não buscamos reduzir o esporte a uma mera expressão dos problemas do capitalismo ou das condições econômicas — interpretação que, em determinados momentos, predominou na tradição do pensamento de esquerda, ao concebê-lo como simples reflexo das estruturas sociais, destituído de potência própria. Nossa intenção é, antes, examinar o esporte em seus contrastes e revisitar as tradições históricas que conformaram seus significados.
Morgan (2006) afirma que as discussões sobre esta temática devem estar atentas às mudanças e ao desenvolvimento controverso que estão transformando a forma pelas quais os esportes são vivenciados e compreendidos. O autor afirma que muitas ideias historicamente construídas sobre o esporte – como a de que ele encarna valores nobres e educativos, oferece uma saída aos desfavorecidos, aproxima nações, é sinônimo de saúde – parecem carecer cada vez mais de credibilidade.
Portanto, cabe perguntar sempre qual é o lugar que o esporte, as práticas e as propostas ocupam em determinados cenários, para certas pessoas, em contextos específicos. Caso contrário, assumir que há uma continuidade nos sentidos positivos atribuídos aos esportes pode fazer com que uma visão essencialista obnubile questões como as relações de poder e os impactos negativos. Coakley (2011) chama a atenção para questões como a alocação de recursos públicos, a escolha de sedes para grandes eventos, as parcerias com o setor privado; todas estas questões devem ser trazidas à tona na justificativa da promoção de práticas educativas em diferentes contextos.
Giulianotti (apudCoakley, 2011) define como “evangelistas do esporte” aquelas pessoas (indivíduos ou entidades) que veem o esporte em termos essencialistas e assumem que ele inevitavelmente leva a múltiplas formas de desenvolvimento. A nível individual, a crença afirma que a participação esportiva tem impacto positivo no desenvolvimento dos jovens porque cria habilidades motoras e esportivas específicas, conversíveis em capital físico; melhora a saúde, a forma física; aumenta a autoconfiança, a autoestima e a imagem corporal positiva; e constrói o caráter na forma de disciplina, trabalho em equipe e responsabilidade. Com este rol de características positivas, os evangelistas do esporte extrapolam sua essência para a recuperação de jovens em risco, já que o esporte é capaz de estruturar suas vidas em torno de valores e objetivos convencionais; afastá-los das ruas; e ensinar-lhes autocontrole, obediência à autoridade e conformidade com as regras (Coakley, 2011).
Embora esse discurso essencialista tenha se reformulado ao longo das transformações sociais e políticas, ele permanece como um lugar-comum que orienta e legitima o ensino e o uso do esporte em distintos contextos. O problema dessa continuidade de sentidos é que, à medida que crenças na bondade intrínseca do esporte se entrelaçam às suas narrativas, reduz-se a percepção da necessidade de perspectivas críticas para orientar políticas de lazer, educação e alto rendimento (Coakley, 2011; 2015). Com isso, a persistência desse imaginário idealizado não apenas limita a compreensão do esporte em sua complexidade social, mas também fragiliza o espaço e a relevância de uma literatura verdadeiramente crítica no campo da educação física.
Debates sobre a essência do esporte: o que está em jogo?
Neste ensaio, buscou-se debater a afirmação de Giulianotti (2011) e Hartmann e Kwauk (2011) de que há um espalhamento de uma perspectiva essencialista do esporte em programas, projetos e propostas porque não há pesquisas suficientes sobre o tema. O que pretendemos discutir aqui é que, no contexto brasileiro, parece haver uma tradição sobre a positividade intrínseca do esporte, que vem sendo estabelecida há mais de cem anos, trazendo à tona tanto seus benefícios individuais quanto para a sociedade de forma geral, e que continua a ser reiterada nas pesquisas contemporâneas.
Em um primeiro momento, esse discurso, baseado em uma filosofia moral dos esportes (Bourdieu, 2003) e nas concepções basais do olimpismo (Guttmann, 2002), teve como intuito promover a difusão do esporte no cenário da educação física, fazendo dele um elemento educativo a ser disseminado na escola, nas praças, nos parques, em suma, nos diferentes espaços de ensino formal e não formal. O que se nota, a partir da busca de publicações no século XXI no contexto brasileiro, é que os resquícios desta proposta do esporte como algo inerentemente positivo ainda alimentam certas discussões no cenário da educação física, ainda que com novas roupagens.
Para concluir, consideramos que debates morais são importantes na análise da situação contemporânea do esporte moderno e naquilo que ele representa em relação ao futuro, corroborando com Giulianotti (2016). Para isso, é necessário recolocar o esporte no centro do debate crítico, afastando-o de concepções que o tratam como essencialmente bom e questionando o “grande mito” que sustenta seus significados.
Declaração de autoria
Daniele Medeiros: Conceptualización, Curaduría de datos, Escritura - revisión y Edición, Metodología, Redacción - borrador original.
Evelise Amgarten Quitzau: Conceptualización, Curaduría de datos, Escritura - revisión y Edición, Metodología.
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Notas
Recepção: 16 octubre 2025
Aprovação: 24 octubre 2025
Publicado: 1 abril 2026